Ele não tem compromisso, mas ainda não é livre
IVAN MARTINS
IVAN MARTINS
É editor-executivo de ÉPOCA
Embora muitos não percebam, os homens não se dividem apenas entre casados e solteiros, ou entre aqueles que têm e não têm namorada. Há outra categoria, menor, mas igualmente importante: a dos homens separados. Eles constituem um grupo inteiramente à parte.
Não importa se o sujeito foi casado por dez anos ou se acaba de romper um namoro que mudou a sua vida. Quem terminou uma relação importante vive, por tempo indeterminado, num universo emocional diferente daquele em que vivem as outras pessoas.
A característica essencial desse período é a dubiedade de sentimentos e a indefinição. O homem separado não tem mais compromisso, mas ele ainda não se sente realmente livre. Vive, de forma muito aguda, a euforia de não ter mais laços e a angústia de estar sozinho. Habita, simultaneamente, dois mundos que se afastam um do outro. Num deles é o companheiro de alguém, o pai, o homem da casa. No outro, é um camarada solitário em busca de emoções e sensações reprimidas. Até que esses dois mundos voltem a se encontrar, até que o homem separado recupere a sua identidade, ele tende a viver em desequilíbrio – o que não é necessariamente ruim.
Eu lembro desses períodos de separação de forma muito intensa. Viagens, rostos, conversas na rua tarde da noite. A palavra para esses interregnos é descoberta. Sobretudo, a descoberta de pessoas e seus mundos. Cada um de nós vive num planeta próprio. Explorar esses planetas, entrar na casa e na vida dos outros sem o peso dos compromissos é uma delícia.
Há também os excessos. A gente enlouquece de liberdade e pira de carência. Sem se dar conta, o sujeito começa a agir como cachorro louco. É comum ver homem separado se atirando sobre as mulheres indiscriminadamente. Não é só lascívia. Depois de anos com a mesma mulher, ou meses com a namorada atenciosa, passar um fim de semana sozinho pode ser o inferno – e, para escapar dele, as pessoas fazem qualquer coisa.
Quando se olha de fora, parece que os homens separados estão 100% do tempo atrás de sexo, mas não é bem isso. A grande ausente nos namoros e casamentos falidos é a paixão. Sexo existe, mas não existe mais romance. Ninguém mais suspira no meio da transa, não se tem mais vontade de escrever cartas à mão ou mandar flores. Você não olha mais para a sua mulher como se ela fosse a mais linda do mundo. E isso faz falta para os dois.
O escritor Norman Mailer já dizia nos anos 1960: as pessoas se esfregam nas festas achando que estão em busca de sexo, quando, na verdade, estão procurando amor. Cinquenta anos depois, o diagnóstico ainda vale para boa parte das situações.
Às vezes eu me surpreendo ao perceber que dos meus períodos de homem separado sobraram relações bacanas. Algumas mulheres conseguiram enxergar por trás da máscara de sedutor tragicômico um sujeito com quem se poderia conversar e conviver. Tornaram-se amigas - mas são exceção.
A tendência nesses momentos de tumulto é queimar as oportunidades e o filme. Você conhece pessoas especiais, mas não consegue ver um palmo à frente do nariz. Não as percebe. Age com todas de uma forma padrão, ditada pela particularidade do seu momento. Banaliza sentimentos e possibilidades.
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Há certo vampirismo nos homens separados, uma necessidade de tomar dos outros dando relativamente pouco. Há uma carência (essa é a palavra-chave) que devora tudo em volta até que algo sacie e acalme. Até que o sujeito seja capaz, de novo, de se apaixonar. Até que ele recupere o romance em sua vida. Esse, eu acho, é o momento em que ele deixa de ser um homem separado e volta a ser um homem livre. A capacidade de se apaixonar encerra a transição.
Esta, ao menos, é a minha experiência. Ela não me parece muito distinta da experiência dos outros homens, mas, nem por isso, serve como regra. Haverá quem saia do casamento pronto para se apaixonar de novo, instantaneamente. Outros baterão cabeça por meses ou anos. Um homem especial talvez seja capaz de reconhecer mesmo na bruma da separação o sorriso da mulher feita para ele – e não jogue fora a oportunidade.
(Ivan Martins escreve às quartas-feiras)
16.7.11
Hahahaha, esse é muito bom. Ivan Martins textos revista época.
A fila anda, mas nossos sentimentos empacam
IVAN MARTINS
IVAN MARTINS
É editor-executivo de ÉPOCA
Um dos efeitos colaterais da nossa liberdade de escolha afetiva é a multiplicação dos ex. Todo mundo tem um ou uma. No passado, quando as pessoas ficavam casadas pela vida inteira, essa figura controversa não existia. Havia ex-presidiário, ex-banqueiro e ex-garota de programa. Mas ex-marido ou ex-mulher, isso era coisa rara.
Hoje em dia, conheço um monte de gente que está no terceiro casamento. E a cada um deles corresponde o espectro de um ex. Alguns são fantasmas bonzinhos, desses que moram quietinhos na memória e, de vez em quando, nos acenam do fundo de um bar. São benignos. Outros vêem carregados de lembranças dolorosas. Só de avistá-los a pessoa se deprime. E há o terceiro tipo, verdadeiro morto-vivo, que é o ex que acha que não acabou – e fica ali em volta, ciscando, ligando, mandando mensagens. Encontrá-lo é sempre uma emoção desagradável.
O pior tipo é o ex de quem a gente gosta. Está lá você, feliz na sua vida, quando a danada (ou danado) aparece para azedar a noite. Pode acontecer a qualquer hora, em qualquer lugar. Não há defesa contra esse tipo de surpresa. No caso dos homens, estar acompanhado de uma mulher bacana atenua o baque. Afinal, ninguém merece ser pego sozinho, com cara de cão sem dono, diante de uma ex com olhar de “nunca fui tão feliz na vida”. Um escudo humano ajuda contra isso, mas não resolve. Ex de quem se gosta sempre dói.
No tempo em que as pessoas se dividiam claramente entre adultos e adolescentes, esse tipo de situação pertencia ao mundo dos adolescentes. Adultos não só tinham relações estáveis e duradouras como, uma vez que elas terminavam, não havia convívio entre ex-marido e ex-mulher. Isso mudou, claro. Os adultos agora trocam de parceiros como adolescentes, vivem em bandos como os adolescentes e, nesses bandos, todo mundo frequenta todo mundo, às vezes de forma carnal. Quando acaba com um, a relação começa com outro. É sempre alguém mais ou menos próximo. O resultado dessa endogamia é convívio indesejado. É troca de mensagens públicas nas redes sociais. É dor.
Eu acho isso tudo difícil de lidar, mas não vejo escapatória. Numa sociedade em que as pessoas se casam (e se relacionam) muitas vezes, é inevitável que andem por aí esbarrando nos ex. Ao menos aqueles que dividem o mesmo microcosmo social.
Claro, essas questões se colocam de forma aguda para quem acabou de se separar. Ou para quem ainda sofre com o ex. Ou para quem carrega divergências inconciliáveis com o ex-marido ou a ex-mulher.
Nas separações normais, passado o tempo regulamentar e superados sentimentos vis, o ex-casal pode conviver perfeitamente. À distância. Podem encontrar-se socialmente, de quando em quando, e trocar palavras amenas. Nessas ocasiões, ela vai avaliar discretamente a barriga e a papada dele e concluir que tudo piorou. Ele, com a mesma discrição, vai passar os olhos nas ancas dela e sentir uma pontinha de saudades. Seres humanos são assim.
Novos cônjuges ou namorados também são objeto de inspeção criteriosa, física e existencial. A rede comum de amigos é empregada para desenterrar detalhes íntimos sobre o sucessor ou sucessora. Se for gente normal, deixa de ser assunto em poucas semanas. E a vida continua.
Eu gosto de pensar que há grandeza nisso. Que há evolução. Uma sociedade em que as pessoas trocam, são trocadas e conseguem tocar a vida sem melodramas é
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Seria perfeito se no ato de usar seus direitos de escolha os ex tivessem a elegância de pensar nos sentimentos de quem ficou pra trás, mas isso talvez seja pedir demãos. Nós, como sociedade, não estamos nos tornando mais elegantes. Pelo contrário, estamos nos tornando egoístas e rudes na proteção de nossas prioridades. Mas imagino que assim preparamos o terreno para ser mais felizes.
Os conservadores, na sua abissal insegurança, tentam criar um mundo cercado de restrições, que os proteja da dor de serem trocados. Mas na geografia em que vivemos esse mundo não mais existe. Ele só pode ser recriado, no espaço da vida de um casal, através da violência e do controle. Ainda assim será precário e triste. Ao final, ilusório.
No mundo real, a fila anda,como disse uma vez o Fábio Júnior, depois da décima separação. Tenho a impressão, aliás, de que a nossa vida começa a se parecer com a vida dos artistas. Há no nosso cotidiano certo glamour que as gerações anteriores de gente normal não conheceram. Há também essas trocas rápidas de parceiros e casamentos relâmpagos que antes a gente só via nas revistas de fofocas. E há, claro, a divulgação pública de tudo que nos acontece, pelas redes sociais. Mesmo o anônimo mais sem graça tem uma audiência no Facebook com quem dividir seu último sucesso ou insucesso amoroso. Todos nós temos plateia e suspeito que, mesmo inconscientemente, atuamos para ela. Nós e nossos ex nos tornamos parte de uma novela que está o ar 24 horas por dia na internet.
Como eu já disse, não vejo muito remédio contra isso. Quem se relacionar no mundo moderno vai esbarrar nessa promiscuidade, ainda que não se engaje nela diretamente. Se o seu ex está na rede, um pedaço seu está lá. Se o seu ex é galinha, lá vai você na roda.
Um jeito de evitar o pior talvez seja relacionar-se fora da tribo profissional ou do grupo de amigos. Se algum dia a relação acabar, você não terá de ver sua ex-pessoa toda hora, nem ouvir a fofocas sobre o que ela faz ou deixa de fazer.
Outra dica útil – infinitamente mais séria - é examinar com cuidado o caráter da mulher ou do homem a quem você vai se juntar, especialmente se quiser ter filhos. Não há nada pior do que achar-se ligado pelo resto da vida a uma pessoa escrota. Mesmo aquilo que é difícil torna-se é mais fácil quando se está tratando com gente de bem.
Em relação à figura do ex ou da ex, a grande advertência é que eles não vão desaparecer porque nos cansamos deles. As pessoas com quem a gente se relacionou de forma duradoura fazem de alguma forma parte da nossa vida. Ficam lá em algum formato de arquivo.
Se você tem três ou quatro ex que estão sempre ao redor, aceite isso. E cuide para que o seu novo parceiro ou parceira também aceite. Num mundo como o nosso, em que nada é permanente, a capacidade de lidar com o passado deve ser parte do teste de admissão. Quem não sabe lidar com os seus próprios ex ou tem problemas com os ex dos outros não merece a vaga. Não está a altura da titularidade.
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(Ivan Martins escreve às quartas-feiras.)
IVAN MARTINS
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É editor-executivo de ÉPOCA
Um dos efeitos colaterais da nossa liberdade de escolha afetiva é a multiplicação dos ex. Todo mundo tem um ou uma. No passado, quando as pessoas ficavam casadas pela vida inteira, essa figura controversa não existia. Havia ex-presidiário, ex-banqueiro e ex-garota de programa. Mas ex-marido ou ex-mulher, isso era coisa rara.
Hoje em dia, conheço um monte de gente que está no terceiro casamento. E a cada um deles corresponde o espectro de um ex. Alguns são fantasmas bonzinhos, desses que moram quietinhos na memória e, de vez em quando, nos acenam do fundo de um bar. São benignos. Outros vêem carregados de lembranças dolorosas. Só de avistá-los a pessoa se deprime. E há o terceiro tipo, verdadeiro morto-vivo, que é o ex que acha que não acabou – e fica ali em volta, ciscando, ligando, mandando mensagens. Encontrá-lo é sempre uma emoção desagradável.
O pior tipo é o ex de quem a gente gosta. Está lá você, feliz na sua vida, quando a danada (ou danado) aparece para azedar a noite. Pode acontecer a qualquer hora, em qualquer lugar. Não há defesa contra esse tipo de surpresa. No caso dos homens, estar acompanhado de uma mulher bacana atenua o baque. Afinal, ninguém merece ser pego sozinho, com cara de cão sem dono, diante de uma ex com olhar de “nunca fui tão feliz na vida”. Um escudo humano ajuda contra isso, mas não resolve. Ex de quem se gosta sempre dói.
No tempo em que as pessoas se dividiam claramente entre adultos e adolescentes, esse tipo de situação pertencia ao mundo dos adolescentes. Adultos não só tinham relações estáveis e duradouras como, uma vez que elas terminavam, não havia convívio entre ex-marido e ex-mulher. Isso mudou, claro. Os adultos agora trocam de parceiros como adolescentes, vivem em bandos como os adolescentes e, nesses bandos, todo mundo frequenta todo mundo, às vezes de forma carnal. Quando acaba com um, a relação começa com outro. É sempre alguém mais ou menos próximo. O resultado dessa endogamia é convívio indesejado. É troca de mensagens públicas nas redes sociais. É dor.
Eu acho isso tudo difícil de lidar, mas não vejo escapatória. Numa sociedade em que as pessoas se casam (e se relacionam) muitas vezes, é inevitável que andem por aí esbarrando nos ex. Ao menos aqueles que dividem o mesmo microcosmo social.
Claro, essas questões se colocam de forma aguda para quem acabou de se separar. Ou para quem ainda sofre com o ex. Ou para quem carrega divergências inconciliáveis com o ex-marido ou a ex-mulher.
Nas separações normais, passado o tempo regulamentar e superados sentimentos vis, o ex-casal pode conviver perfeitamente. À distância. Podem encontrar-se socialmente, de quando em quando, e trocar palavras amenas. Nessas ocasiões, ela vai avaliar discretamente a barriga e a papada dele e concluir que tudo piorou. Ele, com a mesma discrição, vai passar os olhos nas ancas dela e sentir uma pontinha de saudades. Seres humanos são assim.
Novos cônjuges ou namorados também são objeto de inspeção criteriosa, física e existencial. A rede comum de amigos é empregada para desenterrar detalhes íntimos sobre o sucessor ou sucessora. Se for gente normal, deixa de ser assunto em poucas semanas. E a vida continua.
Eu gosto de pensar que há grandeza nisso. Que há evolução. Uma sociedade em que as pessoas trocam, são trocadas e conseguem tocar a vida sem melodramas é
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Seria perfeito se no ato de usar seus direitos de escolha os ex tivessem a elegância de pensar nos sentimentos de quem ficou pra trás, mas isso talvez seja pedir demãos. Nós, como sociedade, não estamos nos tornando mais elegantes. Pelo contrário, estamos nos tornando egoístas e rudes na proteção de nossas prioridades. Mas imagino que assim preparamos o terreno para ser mais felizes.
Os conservadores, na sua abissal insegurança, tentam criar um mundo cercado de restrições, que os proteja da dor de serem trocados. Mas na geografia em que vivemos esse mundo não mais existe. Ele só pode ser recriado, no espaço da vida de um casal, através da violência e do controle. Ainda assim será precário e triste. Ao final, ilusório.
No mundo real, a fila anda,como disse uma vez o Fábio Júnior, depois da décima separação. Tenho a impressão, aliás, de que a nossa vida começa a se parecer com a vida dos artistas. Há no nosso cotidiano certo glamour que as gerações anteriores de gente normal não conheceram. Há também essas trocas rápidas de parceiros e casamentos relâmpagos que antes a gente só via nas revistas de fofocas. E há, claro, a divulgação pública de tudo que nos acontece, pelas redes sociais. Mesmo o anônimo mais sem graça tem uma audiência no Facebook com quem dividir seu último sucesso ou insucesso amoroso. Todos nós temos plateia e suspeito que, mesmo inconscientemente, atuamos para ela. Nós e nossos ex nos tornamos parte de uma novela que está o ar 24 horas por dia na internet.
Como eu já disse, não vejo muito remédio contra isso. Quem se relacionar no mundo moderno vai esbarrar nessa promiscuidade, ainda que não se engaje nela diretamente. Se o seu ex está na rede, um pedaço seu está lá. Se o seu ex é galinha, lá vai você na roda.
Um jeito de evitar o pior talvez seja relacionar-se fora da tribo profissional ou do grupo de amigos. Se algum dia a relação acabar, você não terá de ver sua ex-pessoa toda hora, nem ouvir a fofocas sobre o que ela faz ou deixa de fazer.
Outra dica útil – infinitamente mais séria - é examinar com cuidado o caráter da mulher ou do homem a quem você vai se juntar, especialmente se quiser ter filhos. Não há nada pior do que achar-se ligado pelo resto da vida a uma pessoa escrota. Mesmo aquilo que é difícil torna-se é mais fácil quando se está tratando com gente de bem.
Em relação à figura do ex ou da ex, a grande advertência é que eles não vão desaparecer porque nos cansamos deles. As pessoas com quem a gente se relacionou de forma duradoura fazem de alguma forma parte da nossa vida. Ficam lá em algum formato de arquivo.
Se você tem três ou quatro ex que estão sempre ao redor, aceite isso. E cuide para que o seu novo parceiro ou parceira também aceite. Num mundo como o nosso, em que nada é permanente, a capacidade de lidar com o passado deve ser parte do teste de admissão. Quem não sabe lidar com os seus próprios ex ou tem problemas com os ex dos outros não merece a vaga. Não está a altura da titularidade.
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(Ivan Martins escreve às quartas-feiras.)
Textos do Ivan Martins, da Revista Época.
Ivan Martins, virei sua fã. Vale a pena dar uma lida, são sensacionais!
Ele vive dentro de nós e, cedo ou tarde, mostra a cara
IVAN MARTINS
IVAN MARTINS
É editor-executivo de ÉPOCA
Antes de escrever esta coluna eu prometi a mim mesmo que veria Blue Valentine, lançado no Brasil com o título besta de Namorados para sempre. Prometi, mas não fiz. Tudo o que li sugere que o filme é um retrato demasiadamente fiel de dois momentos cruciais da relação amorosa, o começo jubiloso e o fim horrendo. Quem viu o filme diz que dói. Eu, que assim como vocês já tive a minha cota de separações, e ainda mais, ainda não reuni coragem para me ver em cena. E talvez não reúna.
Mesmo de longe, Blue Valentine me fez lembrar do monstro que aparece quando as relações começam a acabar. Ele se manifesta por insultos e violência verbal, no início. Indiferença e sarcasmo, depois. É preciso ter atravessado um túnel desses para perceber que as brigas, ainda que assustadoras, representam uma tentativa de aproximação. Elas são o derradeiro gesto de carinho. Os gritos parecem uma forma exasperada de perguntar, afinal, o que aconteceu com o amor que havia aqui? A indiferença entra em cena quando ninguém mais está interessado na resposta.
De um jeito ou de outro, o monstro está lá.
Se ele grita e quebra pratos, ou cala, ainda é ele, cascudo e áspero por fora, uma bola sangrenta e dolorosa por dentro. O monstro da separação se parece imensamente com a pessoa que a gente amava, mas, ao contrário dela, parece ter vindo ao mundo com a missão explícita de nos fazer sofrer, de forma cruel e variada. A pior delas é a confusão. Às vezes, o monstro sorri de uma maneira tão parecida ao antigo objeto do nosso amor que é impossível não se derreter por ele. Mas, um segundo depois, o monstro faz um comentário gelado que deixa clara a sua natureza de réptil. Nossos sentimentos oscilam como pêndulo entre um momento e outro, e a vida parece não ser mais do que um poço escuro repleto de indecisão.
Muitos dirão que eu exagero – e é verdade. Mas o fato é que nunca vivi uma separação inteiramente civilizada. Temo que elas não existam. Na minha experiência, em algum momento o monstro sempre dá as caras. Mesmo nas relações mais doces ele aparece – ainda que seja no finalzinho, ou depois.
Lembro de me separar de uma mulher tão querida, com quem eu tinha uma relação de tanto carinho, que nos era impossível brigar de verdade. Quando ela se punha a berrar comigo eu achava a cena cômica, e ria. Mesmo assim teve barraco, semanas depois da separação. Eu soube que ela estava saindo com um sujeito qualquer e achei que tinha o direito de receber esclarecimentos. Liguei, cobrei e ela – com toda razão – disse que aquilo não era da minha conta e mandou que eu me catasse. Foi aí que o monstro pegou o telefone do meu lado e entrou na conversa. Lembro perfeitamente de algumas coisas que ele disse, e da frieza torpe com que disse, mas tenho vergonha de reproduzir. Do lado de lá, claro, apareceu outro monstro, de cílios postiços e batom vermelho, que gritou ao telefone coisas terríveis, tiradas do baú do ressentimento. Não foi nada bom.
Uma das características mais surpreendentes do monstro da separação é que gente nem imagina quando ele veio ao mundo. Lembramos perfeitamente do dia, da hora e talvez mesmo do exato segundo em que o amor começou. Ou, pelo menos, da sensação de estar diante da possibilidade do amor. Mas temos uma dificuldade enorme em perceber o momento em que a casa começa a cair. Exceto nos romances e nos filmes, que tentam explicar o inexplicável, ninguém acumula pistas para esse tipo de desfecho. Ninguém diz, por exemplo: aquela manhã, quando eu comentei que iria voltar tarde para casa, e ela sequer me ouviu, percebi que as coisas estavam acabando. Ou então: trocamos um olhar no meio da festa e, repentinamente, ficou claro que a cumplicidade que houvera entre nós havia desaparecido.
Na vida real não é assim. Pela boa razão de que não queremos que seja. A maioria de nós gosta de ser parte de um casal, de um projeto, de um todo. Gostamos de ser amados e de amar. Assim, não nos interessa ficar espreitando o futuro na borra do café de todos os dias. Tocamos o barco, como se diz. Seguimos adiante, otimistas até prova em contrário. Quando a gente se dá conta, o mal-estar já está batendo nas coxas, como uma água suja e fria. Esse é o ambiente em que os monstros vicejam.
É evidente que ninguém chega a isso de uma hora para outra. Monstros não se improvisam. Nem se manifestam em relações que não tiveram tempo de engendrá-los. Não adianta namorar superficialmente por três meses e esperar por um sáurio escamoso de três metros na despedida. Ela não vai aparecer. Monstros são filhos bastardos da paixão e do comprometimento. São alimentados, paradoxalmente, por desejo, admiração e compromisso. Além de tempo, claro. Gente que não é capaz de amar nunca vai ter seu monstro. Pode ver o dos outros, daqueles que são capazes de amar sozinhos, mas esses não são realmente assustadores. Os monstros que nos metem medo têm as feições e os gestos das pessoas que nós amamos. Ou as nossas.
Dito isso, se eu fosse dirigir um filme de amor, tentaria evitar esse trecho final, como o cinema antigo fazia nas cenas de sexo. Depois do beijo, descia a cortina. Quem não sabia o que vinha depois não tinha idade para isso e não deveria realmente ver. Quem já sabia não precisava de explicações tão diretas. O voyerismo erótico e emocional – esse que nos dá o direito de espiar até os últimos detalhes da vida dos outros, real ou imaginária – é uma invenção relativamente recente. Se eu fosse dirigir um filme de amor, portanto, apelaria para o pudor. E acho que seria um sucesso. Aposto que o mundo está cheio de gente como eu, cansada de ver de perto o monstro da separação.
(Ivan Martins escreve às quartas-feiras)
Ele vive dentro de nós e, cedo ou tarde, mostra a cara
IVAN MARTINS
IVAN MARTINS
É editor-executivo de ÉPOCA
Antes de escrever esta coluna eu prometi a mim mesmo que veria Blue Valentine, lançado no Brasil com o título besta de Namorados para sempre. Prometi, mas não fiz. Tudo o que li sugere que o filme é um retrato demasiadamente fiel de dois momentos cruciais da relação amorosa, o começo jubiloso e o fim horrendo. Quem viu o filme diz que dói. Eu, que assim como vocês já tive a minha cota de separações, e ainda mais, ainda não reuni coragem para me ver em cena. E talvez não reúna.
Mesmo de longe, Blue Valentine me fez lembrar do monstro que aparece quando as relações começam a acabar. Ele se manifesta por insultos e violência verbal, no início. Indiferença e sarcasmo, depois. É preciso ter atravessado um túnel desses para perceber que as brigas, ainda que assustadoras, representam uma tentativa de aproximação. Elas são o derradeiro gesto de carinho. Os gritos parecem uma forma exasperada de perguntar, afinal, o que aconteceu com o amor que havia aqui? A indiferença entra em cena quando ninguém mais está interessado na resposta.
De um jeito ou de outro, o monstro está lá.
Se ele grita e quebra pratos, ou cala, ainda é ele, cascudo e áspero por fora, uma bola sangrenta e dolorosa por dentro. O monstro da separação se parece imensamente com a pessoa que a gente amava, mas, ao contrário dela, parece ter vindo ao mundo com a missão explícita de nos fazer sofrer, de forma cruel e variada. A pior delas é a confusão. Às vezes, o monstro sorri de uma maneira tão parecida ao antigo objeto do nosso amor que é impossível não se derreter por ele. Mas, um segundo depois, o monstro faz um comentário gelado que deixa clara a sua natureza de réptil. Nossos sentimentos oscilam como pêndulo entre um momento e outro, e a vida parece não ser mais do que um poço escuro repleto de indecisão.
Muitos dirão que eu exagero – e é verdade. Mas o fato é que nunca vivi uma separação inteiramente civilizada. Temo que elas não existam. Na minha experiência, em algum momento o monstro sempre dá as caras. Mesmo nas relações mais doces ele aparece – ainda que seja no finalzinho, ou depois.
Lembro de me separar de uma mulher tão querida, com quem eu tinha uma relação de tanto carinho, que nos era impossível brigar de verdade. Quando ela se punha a berrar comigo eu achava a cena cômica, e ria. Mesmo assim teve barraco, semanas depois da separação. Eu soube que ela estava saindo com um sujeito qualquer e achei que tinha o direito de receber esclarecimentos. Liguei, cobrei e ela – com toda razão – disse que aquilo não era da minha conta e mandou que eu me catasse. Foi aí que o monstro pegou o telefone do meu lado e entrou na conversa. Lembro perfeitamente de algumas coisas que ele disse, e da frieza torpe com que disse, mas tenho vergonha de reproduzir. Do lado de lá, claro, apareceu outro monstro, de cílios postiços e batom vermelho, que gritou ao telefone coisas terríveis, tiradas do baú do ressentimento. Não foi nada bom.
Uma das características mais surpreendentes do monstro da separação é que gente nem imagina quando ele veio ao mundo. Lembramos perfeitamente do dia, da hora e talvez mesmo do exato segundo em que o amor começou. Ou, pelo menos, da sensação de estar diante da possibilidade do amor. Mas temos uma dificuldade enorme em perceber o momento em que a casa começa a cair. Exceto nos romances e nos filmes, que tentam explicar o inexplicável, ninguém acumula pistas para esse tipo de desfecho. Ninguém diz, por exemplo: aquela manhã, quando eu comentei que iria voltar tarde para casa, e ela sequer me ouviu, percebi que as coisas estavam acabando. Ou então: trocamos um olhar no meio da festa e, repentinamente, ficou claro que a cumplicidade que houvera entre nós havia desaparecido.
Na vida real não é assim. Pela boa razão de que não queremos que seja. A maioria de nós gosta de ser parte de um casal, de um projeto, de um todo. Gostamos de ser amados e de amar. Assim, não nos interessa ficar espreitando o futuro na borra do café de todos os dias. Tocamos o barco, como se diz. Seguimos adiante, otimistas até prova em contrário. Quando a gente se dá conta, o mal-estar já está batendo nas coxas, como uma água suja e fria. Esse é o ambiente em que os monstros vicejam.
É evidente que ninguém chega a isso de uma hora para outra. Monstros não se improvisam. Nem se manifestam em relações que não tiveram tempo de engendrá-los. Não adianta namorar superficialmente por três meses e esperar por um sáurio escamoso de três metros na despedida. Ela não vai aparecer. Monstros são filhos bastardos da paixão e do comprometimento. São alimentados, paradoxalmente, por desejo, admiração e compromisso. Além de tempo, claro. Gente que não é capaz de amar nunca vai ter seu monstro. Pode ver o dos outros, daqueles que são capazes de amar sozinhos, mas esses não são realmente assustadores. Os monstros que nos metem medo têm as feições e os gestos das pessoas que nós amamos. Ou as nossas.
Dito isso, se eu fosse dirigir um filme de amor, tentaria evitar esse trecho final, como o cinema antigo fazia nas cenas de sexo. Depois do beijo, descia a cortina. Quem não sabia o que vinha depois não tinha idade para isso e não deveria realmente ver. Quem já sabia não precisava de explicações tão diretas. O voyerismo erótico e emocional – esse que nos dá o direito de espiar até os últimos detalhes da vida dos outros, real ou imaginária – é uma invenção relativamente recente. Se eu fosse dirigir um filme de amor, portanto, apelaria para o pudor. E acho que seria um sucesso. Aposto que o mundo está cheio de gente como eu, cansada de ver de perto o monstro da separação.
(Ivan Martins escreve às quartas-feiras)
Esse texto do Ivan Martins da revista Época é super sensacional. vale a pena dar uma olhada. :)
Por que as pessoas valorizam o esforço e a sedução?
IVAN MARTINS
IVAN MARTINS
É editor-executivo de ÉPOCA
Há conversas que nunca terminam e dúvidas que jamais desaparecem. Sobre a melhor maneira de iniciar uma relação, por exemplo. Muita gente acredita que aquilo que se ganha com facilidade se perde do mesmo jeito. Acham que as relações que exigem esforço têm mais valor. Mulheres difíceis de conquistar, homens difíceis de manter, namoros que dão trabalho - esses tendem a ser mais importantes e duradouros. Mas será verdade?
Eu suspeito que não.
Acho que somos ensinados a subestimar quem gosta de nós. Se a garota na mesa ao lado sorri em nossa direção, começamos a reparar nos seus defeitos. Se a pessoa fosse realmente bacana não me daria bola assim de graça. Se ela não resiste aos meus escassos encantos é uma mulher fácil – e mulheres fáceis não valem nada, certo? O nome disso, damas e cavalheiros, é baixa auto-estima: não entro em clube que me queira como sócio. É engraçado, mas dói.
Também somos educados para o sacrifício. Aquilo que ganhamos sem suor não tem valor. Somos uma sociedade de lutadores, não somos? Temos de nos esforçar para obter recompensas. As coisas que realmente valem a pena são obtidas à duras penas. E por aí vai. De tanto ouvir essa conversa - na escola, no esporte, no escritório - levamos seus pressupostos para a vida afetiva. Acabamos acreditando que também no terreno do afeto deveríamos ser capazes de lutar, sofrer e triunfar. Precisamos de conquistas épicas para contar no jantar de domingo. Se for fácil demais, não vale. Amor assim não tem graça, diz um amigo meu. Será mesmo?
Minha experiência sugere o contrário.
Desde a adolescência, e no transcorrer da vida adulta, todas as mulheres importantes me caíram do céu. A moça que vomitou no meu pé na festa do centro acadêmico e me levou para dormir na sala da casa dela. Casamos. A garota de olhos tristes que eu conheci na porta do cinema e meia hora depois tomava o meu sorvete. Quase casamos? A mulher cujo nome eu perguntei na lanchonete do trabalho e 24 horas depois me chamou para uma festa. A menina do interior que resolveu dançar comigo num impulso. Nenhuma delas foi seduzida, conquistada ou convencida a gostar de mim. Elas tomaram a iniciativa – ou retribuíram sem hesitar a atenção que eu dei a elas.
Toda vez que eu insisti com quem não estava interessada deu errado. Toda vez que tentei escalar o muro da indiferença foi inútil. Ou descobri que do outro lado não havia nada. Na minha experiência, amor é um território em que coragem e a iniciativa são premiadas, mas empenho, persistência e determinação nunca trouxeram resultado.
Relato essa experiência para discutir uma questão que me parece da maior gravidade: o quanto deveríamos insistir em obter a atenção de uma pessoa que não parece retribuir os nossos sentimos?
Quem está emocionalmente disponível lida com esse tipo de dilema o tempo todo. Você conhece a figura, acha bacana, liga uns dias depois e ela não atende e nem liga de volta. O que fazer? Você sai com a pessoa, acha ela o máximo, tenta um segundo encontro e ela reluta em marcar a data. Como proceder a partir daí? Você começou uma relação, está se apaixonando, mas a outra parte, um belo dia, deixa de retornar seus telefonemas. O que se faz? Você está apaixonado ou apaixonada, levou um pé na bunda e mal consegue respirar. É o caso de tentar reconquistar ou seria melhor proteger-se e ajudar o sentimento a morrer?
Todas essas situações conduzem à mesma escolha: insistir ou desistir?
Quem acha que o amor é um campo de batalha geralmente opta pela insistência. Quem acha que ele é uma ocorrência espontânea tende a escolher a desistência (embora isso pareça feio). Na prática, como não temos 100% de certeza sobre as coisas, e como não nos controlamos 100%, oscilamos entre uma e outra posição, ao sabor das circunstâncias e do tamanho do envolvimento. Mas a maioria de nós, mesmo de forma inconsciente, traça um limite para o quanto se empenhar (ou rastejar) num caso desses. Quem não tem limites sofre além da conta – e frequentemente faz papel de bobo, com resultados pífios.
Uma das minhas teorias favoritas é que mesmo que a pessoa ceda a um assédio longo e custoso a relação estará envenenada. Pela simples razão de que ninguém é esnobado por muito tempo ou de forma muito ostensiva sem desenvolver ressentimentos. E ressentimentos não se dissipam. Eles ficam e cobram um preço. Cedo ou tarde a conta chega. E o tipo de personalidade que insiste demais numa conquista pode estar movida por motivos errados: o interesse é pela pessoa ou pela dificuldade? É um caso de amor ou de amor próprio?
Ser amado de graça, por outro lado, não tem preço. É a homenagem mais bacana que uma pessoa pode nos fazer. Você está ali, na vida (no trabalho, na balada, nas férias, no churrasco, na casa do amigo) e a pessoa simplesmente gosta de você. Ou você se aproxima com uma conversa fiada e ela recebe esse gesto de braços abertos. O que pode ser melhor do que isso? O que pode ser melhor do que ser gostado por aquilo que se é – sem truques, sem jogos de sedução, sem premeditações? Neste momento eu não consigo me lembrar de nada.
(Ivan Martins escreve às quartas-feiras)
IVAN MARTINS
IVAN MARTINS
É editor-executivo de ÉPOCA
Há conversas que nunca terminam e dúvidas que jamais desaparecem. Sobre a melhor maneira de iniciar uma relação, por exemplo. Muita gente acredita que aquilo que se ganha com facilidade se perde do mesmo jeito. Acham que as relações que exigem esforço têm mais valor. Mulheres difíceis de conquistar, homens difíceis de manter, namoros que dão trabalho - esses tendem a ser mais importantes e duradouros. Mas será verdade?
Eu suspeito que não.
Acho que somos ensinados a subestimar quem gosta de nós. Se a garota na mesa ao lado sorri em nossa direção, começamos a reparar nos seus defeitos. Se a pessoa fosse realmente bacana não me daria bola assim de graça. Se ela não resiste aos meus escassos encantos é uma mulher fácil – e mulheres fáceis não valem nada, certo? O nome disso, damas e cavalheiros, é baixa auto-estima: não entro em clube que me queira como sócio. É engraçado, mas dói.
Também somos educados para o sacrifício. Aquilo que ganhamos sem suor não tem valor. Somos uma sociedade de lutadores, não somos? Temos de nos esforçar para obter recompensas. As coisas que realmente valem a pena são obtidas à duras penas. E por aí vai. De tanto ouvir essa conversa - na escola, no esporte, no escritório - levamos seus pressupostos para a vida afetiva. Acabamos acreditando que também no terreno do afeto deveríamos ser capazes de lutar, sofrer e triunfar. Precisamos de conquistas épicas para contar no jantar de domingo. Se for fácil demais, não vale. Amor assim não tem graça, diz um amigo meu. Será mesmo?
Minha experiência sugere o contrário.
Desde a adolescência, e no transcorrer da vida adulta, todas as mulheres importantes me caíram do céu. A moça que vomitou no meu pé na festa do centro acadêmico e me levou para dormir na sala da casa dela. Casamos. A garota de olhos tristes que eu conheci na porta do cinema e meia hora depois tomava o meu sorvete. Quase casamos? A mulher cujo nome eu perguntei na lanchonete do trabalho e 24 horas depois me chamou para uma festa. A menina do interior que resolveu dançar comigo num impulso. Nenhuma delas foi seduzida, conquistada ou convencida a gostar de mim. Elas tomaram a iniciativa – ou retribuíram sem hesitar a atenção que eu dei a elas.
Toda vez que eu insisti com quem não estava interessada deu errado. Toda vez que tentei escalar o muro da indiferença foi inútil. Ou descobri que do outro lado não havia nada. Na minha experiência, amor é um território em que coragem e a iniciativa são premiadas, mas empenho, persistência e determinação nunca trouxeram resultado.
Relato essa experiência para discutir uma questão que me parece da maior gravidade: o quanto deveríamos insistir em obter a atenção de uma pessoa que não parece retribuir os nossos sentimos?
Quem está emocionalmente disponível lida com esse tipo de dilema o tempo todo. Você conhece a figura, acha bacana, liga uns dias depois e ela não atende e nem liga de volta. O que fazer? Você sai com a pessoa, acha ela o máximo, tenta um segundo encontro e ela reluta em marcar a data. Como proceder a partir daí? Você começou uma relação, está se apaixonando, mas a outra parte, um belo dia, deixa de retornar seus telefonemas. O que se faz? Você está apaixonado ou apaixonada, levou um pé na bunda e mal consegue respirar. É o caso de tentar reconquistar ou seria melhor proteger-se e ajudar o sentimento a morrer?
Todas essas situações conduzem à mesma escolha: insistir ou desistir?
Quem acha que o amor é um campo de batalha geralmente opta pela insistência. Quem acha que ele é uma ocorrência espontânea tende a escolher a desistência (embora isso pareça feio). Na prática, como não temos 100% de certeza sobre as coisas, e como não nos controlamos 100%, oscilamos entre uma e outra posição, ao sabor das circunstâncias e do tamanho do envolvimento. Mas a maioria de nós, mesmo de forma inconsciente, traça um limite para o quanto se empenhar (ou rastejar) num caso desses. Quem não tem limites sofre além da conta – e frequentemente faz papel de bobo, com resultados pífios.
Uma das minhas teorias favoritas é que mesmo que a pessoa ceda a um assédio longo e custoso a relação estará envenenada. Pela simples razão de que ninguém é esnobado por muito tempo ou de forma muito ostensiva sem desenvolver ressentimentos. E ressentimentos não se dissipam. Eles ficam e cobram um preço. Cedo ou tarde a conta chega. E o tipo de personalidade que insiste demais numa conquista pode estar movida por motivos errados: o interesse é pela pessoa ou pela dificuldade? É um caso de amor ou de amor próprio?
Ser amado de graça, por outro lado, não tem preço. É a homenagem mais bacana que uma pessoa pode nos fazer. Você está ali, na vida (no trabalho, na balada, nas férias, no churrasco, na casa do amigo) e a pessoa simplesmente gosta de você. Ou você se aproxima com uma conversa fiada e ela recebe esse gesto de braços abertos. O que pode ser melhor do que isso? O que pode ser melhor do que ser gostado por aquilo que se é – sem truques, sem jogos de sedução, sem premeditações? Neste momento eu não consigo me lembrar de nada.
(Ivan Martins escreve às quartas-feiras)
13.7.11
Conheça-te a ti mesmo.
Por mais que o indivíduo tenha acabado com meu psicológico e destruído a vida de muitas vítimas, difamando ex amigos, ex namoradas, e pessoas ao seu redor. Hoje reflito com paz no coração, de que se vingar de uma pessoa tão pobre de caráter não é a melhor solução.
Um dia, deus ensina e a vida também por si só.
Obrigada a todos que me apoiaram e sempre me apoiam, que a maldade em si se corrói dentro da alma dele, sem precisar de justiça alguma.
Bom dia, que esse veneno que ele passou nesses 11 meses para mim, agora seja sugado por ele mesmo e fique corroendo o resto de bondade que ele deveria ter.
Um dia, deus ensina e a vida também por si só.
Obrigada a todos que me apoiaram e sempre me apoiam, que a maldade em si se corrói dentro da alma dele, sem precisar de justiça alguma.
Bom dia, que esse veneno que ele passou nesses 11 meses para mim, agora seja sugado por ele mesmo e fique corroendo o resto de bondade que ele deveria ter.
11.7.11
http://pessoasperigosas.blogspot.com/2009/01/sociopatas-uma-breve-descrio.html
Estava lendo sobre os transtornos de personalidade e achei o encaixe perfeito e maquiavélico que me assustou profundamente pela semelhança de detalhes que ocorreram de agosto de 2010 até julho de 2011. São fatos horriveis que comprovam que eu estava vivendo ao lado de um SOCIOPATA. cuidado, não hesitarei em ajudar a próxima vítima, assimo com a ex namorada dele, veio a me ajudar nos meses seguintes. me mostrando que eu estava sendo a próxima vítima de um doente manipulador.
Sociopatas: Uma Breve Descrição
Sociopatas têm sérias dificuldades para sentir empatia em relação aos outros. Em outras palavras, eles acham extremamente difícil e em alguns casos até impossível se colocar na posição da outra pessoa. É por causa disso que tantas vezes eles são indelicados e insensíveis, divertindo-se em humilhar e depreciar.
Sua predisposição para falar o que querem sem se importar com a verdade em conjunto com o seu narcisismo exacerbado, levam-nos a contar histórias mirabolantes em que eles são os heróis e em que os seus opositores são sempre maus e culpados por tudo. Valendo-se de mentiras ou de meias verdades, o psicopata manipula quem ele quer, para obter lucro pessoal ou simplesmente para se divertir.
O sociopata tem emoções rasas. Ele é extremamente habilidoso em demonstrar amizade, carinho e consideração para ganhar a confiança das pessoas. Mas suas emoções em grande parte são superficiais e as demonstrações de cuidado não passam de mero teatro. Até mesmo suas demonstrações de raiva são artificiais. Logo depois de um ataque de ira, o psicopata retorna ao estado normal, deixando claro que não provou do sentimento como uma pessoa normal provaria.
Psicopatas têm comportamento impulsivo e irresponsável; com frequência não se mantêm no trabalho e não administram bem as suas contas.
Sociopatas: Uma Breve Descrição
Sociopatas têm sérias dificuldades para sentir empatia em relação aos outros. Em outras palavras, eles acham extremamente difícil e em alguns casos até impossível se colocar na posição da outra pessoa. É por causa disso que tantas vezes eles são indelicados e insensíveis, divertindo-se em humilhar e depreciar.
Sua predisposição para falar o que querem sem se importar com a verdade em conjunto com o seu narcisismo exacerbado, levam-nos a contar histórias mirabolantes em que eles são os heróis e em que os seus opositores são sempre maus e culpados por tudo. Valendo-se de mentiras ou de meias verdades, o psicopata manipula quem ele quer, para obter lucro pessoal ou simplesmente para se divertir.
O sociopata tem emoções rasas. Ele é extremamente habilidoso em demonstrar amizade, carinho e consideração para ganhar a confiança das pessoas. Mas suas emoções em grande parte são superficiais e as demonstrações de cuidado não passam de mero teatro. Até mesmo suas demonstrações de raiva são artificiais. Logo depois de um ataque de ira, o psicopata retorna ao estado normal, deixando claro que não provou do sentimento como uma pessoa normal provaria.
Psicopatas têm comportamento impulsivo e irresponsável; com frequência não se mantêm no trabalho e não administram bem as suas contas.
8.12.10
top 5 : letras e músicas da auto imagem.
Leve-me daqui
Breve
Não sei aonde ir
Uma ilha, o Japão
Longe lá no céu, dentro do avião
Beije-me até sarar
Forte
Só sei que quero desmanchar
O nó que fica na garganta
O amor que fere também agiganta
Eu quis fugir
Baby, daqui
Botar o pé na estrada
Leve-me daqui
Leve
Eu quero me sentir
Nas águas do Oceano Atlântico
No seco do deserto te abraçar romântico
Love me, quer namorar
Corre
Zomba de mim pra eu me entregar
Língua quente, lava de vulcão
Percorre o céu da boca e me tira do chão
É tão difícil pra mim
Entender as coisas do coração
O amor pode ser bom sim
Eu não sei não
Eu não sei
Breve
Não sei aonde ir
Uma ilha, o Japão
Longe lá no céu, dentro do avião
Beije-me até sarar
Forte
Só sei que quero desmanchar
O nó que fica na garganta
O amor que fere também agiganta
Eu quis fugir
Baby, daqui
Botar o pé na estrada
Leve-me daqui
Leve
Eu quero me sentir
Nas águas do Oceano Atlântico
No seco do deserto te abraçar romântico
Love me, quer namorar
Corre
Zomba de mim pra eu me entregar
Língua quente, lava de vulcão
Percorre o céu da boca e me tira do chão
É tão difícil pra mim
Entender as coisas do coração
O amor pode ser bom sim
Eu não sei não
Eu não sei
top 5 : letras e músicas da auto imagem.
Longas Noites
Não tenho medo
Para quando eu estiver sozinho
Eu estarei numa situação melhor do que antes
Eu tenho essa luz
Eu irei em busca de crescimento
Quem eu era antes
Eu não posso lembrar
Longas noites permitam-me sentir...
Estou caindo ... Estou caindo
As luzes se apagam
Permitam-me sentir
Estou caindo
Estou caindo ao chão
Ah ...
Vou aproveitar esta alma que está dentro de mim agora
Tal como um novo amigo
Eu sempre saberei
Eu tenho essa luz
E a vontade de mostrar
Serei sempre melhor do que antes
Longas noites permitam - me sentir ...
Estou caindo ... Estou caindo
As luzes se apagam
Permitam-me sentir
Estou caindo
Estou caindo seguro ao chão
Ah ...
Não tenho medo
Para quando eu estiver sozinho
Eu estarei numa situação melhor do que antes
Eu tenho essa luz
Eu irei em busca de crescimento
Quem eu era antes
Eu não posso lembrar
Longas noites permitam-me sentir...
Estou caindo ... Estou caindo
As luzes se apagam
Permitam-me sentir
Estou caindo
Estou caindo ao chão
Ah ...
Vou aproveitar esta alma que está dentro de mim agora
Tal como um novo amigo
Eu sempre saberei
Eu tenho essa luz
E a vontade de mostrar
Serei sempre melhor do que antes
Longas noites permitam - me sentir ...
Estou caindo ... Estou caindo
As luzes se apagam
Permitam-me sentir
Estou caindo
Estou caindo seguro ao chão
Ah ...
Existencialismo segundo poucos.(ou muitos)
Me fiz prisioneiro de minhas próprias correntes
correntes pesadas entrelaçadas entre si, junto ao lamaçal que é a busca do significado da existência.
nascer, procriar, alimentar ser alimentado viver por anos e morrer. será que Pessoa, supertramp, byron, Søren Kierkegaard não tinha suas razões para acreditarem na natureza e que a vida de fato se pensada em amplitude profunda, não se fixa em nada de sentido lógico e concreto?
fico com eles. a partir de hoje, desconfio mais da humanidade.
me tornei o que eu realmente não queria ser , o que tanto lutava contra por ainda existir dentro do meu coração faíscas de esperança.
mas somos uma espécie em contradição a cada momento de nossas ações, comportamentos e pensamentos. não servimos de exemplo para nenhum outro tipo de sociedade.
creio em poucos alguns já se foram, outros continuam por aqui. cada um vivendo em sua determinada vida (mundo de vidro posso assim chamar se william me permitir)
e eu vivo aqui. uma pergunta eu faço:
Você me vê?
você vê alguém?
somos ovelhas no rebanho(...)
correntes pesadas entrelaçadas entre si, junto ao lamaçal que é a busca do significado da existência.
nascer, procriar, alimentar ser alimentado viver por anos e morrer. será que Pessoa, supertramp, byron, Søren Kierkegaard não tinha suas razões para acreditarem na natureza e que a vida de fato se pensada em amplitude profunda, não se fixa em nada de sentido lógico e concreto?
fico com eles. a partir de hoje, desconfio mais da humanidade.
me tornei o que eu realmente não queria ser , o que tanto lutava contra por ainda existir dentro do meu coração faíscas de esperança.
mas somos uma espécie em contradição a cada momento de nossas ações, comportamentos e pensamentos. não servimos de exemplo para nenhum outro tipo de sociedade.
creio em poucos alguns já se foram, outros continuam por aqui. cada um vivendo em sua determinada vida (mundo de vidro posso assim chamar se william me permitir)
e eu vivo aqui. uma pergunta eu faço:
Você me vê?
você vê alguém?
somos ovelhas no rebanho(...)
top 5 : letras e músicas da auto imagem.
Hey You
Hey you
Out there in the cold
Getting lonely, getting old
Can you feel me?
Hey you
Standing in the aisle
With itchy feet and fading smile
Can you feel me?
Hey you
Don't help them to bury the light
Don't give in, without a fight
Hey you
Out there on your own
Sitting naked by the phone
Would you touch me?
Hey you
With your ear against the wall
Waiting for someone to call out
Would you touch me?
Hey you
Would you help me to carry the stone?
Open your heart, I'm coming home
But it was only, fantasy
The wall was too high, as you can see
No matter how he tried, he could not break free
And the worms ate into his brain
Hey you
Out there on the road
Always doing what you're told
Can you help me?
Hey you
Out there beyond the wall
Breaking bottles in the hall
Can you help me?
Hey you
Don't tell me there's no hope at all
Together we stand, divided we fall
(pink floyd)
Hey you
Out there in the cold
Getting lonely, getting old
Can you feel me?
Hey you
Standing in the aisle
With itchy feet and fading smile
Can you feel me?
Hey you
Don't help them to bury the light
Don't give in, without a fight
Hey you
Out there on your own
Sitting naked by the phone
Would you touch me?
Hey you
With your ear against the wall
Waiting for someone to call out
Would you touch me?
Hey you
Would you help me to carry the stone?
Open your heart, I'm coming home
But it was only, fantasy
The wall was too high, as you can see
No matter how he tried, he could not break free
And the worms ate into his brain
Hey you
Out there on the road
Always doing what you're told
Can you help me?
Hey you
Out there beyond the wall
Breaking bottles in the hall
Can you help me?
Hey you
Don't tell me there's no hope at all
Together we stand, divided we fall
(pink floyd)
28.9.10
reflexão e mudanças, de volta a ser quem eu sou. pensar mais em mim do que nos outros. é isso. um novo começo.
sempre pensei como sempre compreendo os outros as falhas
mas as minhas sao pouco entendidas e muito menos compreendidas
esse mundo é injusto
e eu temo pelo amanha depois da analise algo pode mudar. nao sei ao certo.
talvez eu deva acreditar que deus sabe oque faz
e tudo tem seu motivo, seja para o bem ou para o mal.
sempre pensei como sempre compreendo os outros as falhas
mas as minhas sao pouco entendidas e muito menos compreendidas
esse mundo é injusto
e eu temo pelo amanha depois da analise algo pode mudar. nao sei ao certo.
talvez eu deva acreditar que deus sabe oque faz
e tudo tem seu motivo, seja para o bem ou para o mal.
22.9.10
twitter e os tempos modernos? (ou seria a volta dos macacos?)
Nos tempos de twitter, prefiro ser supertramp:
Fingir que sobrevivo na selva com os macacos de verdade ( não confundir animais com humanos , ou seria a mesma coisa?)
rs.
acontece, a acidez vem e vai, vai e vem. (...)
Fingir que sobrevivo na selva com os macacos de verdade ( não confundir animais com humanos , ou seria a mesma coisa?)
rs.
acontece, a acidez vem e vai, vai e vem. (...)
reserva
é como nos #haikais de millôr.
se você escutar alguém dizer que é reservado nos tempos atuais
pode acreditar que ele falou isso porque achou a palavra bonita.
rs.
se você escutar alguém dizer que é reservado nos tempos atuais
pode acreditar que ele falou isso porque achou a palavra bonita.
rs.
Millôr Fernandes eu te amo!
eu tenho 24 anos, sou uma aquariana das mais típicas
daquelas que não é fã de quase nada, daquelas que vai para a china se todos estiverem indo pro EUA. entende como é né?
possuo poucos, dos quais admiro.
um deles é o supertramp
o outro é millôr
porque millôr é gênio e humilde
diz sem querer dizer
fala sem querer falar
é desprentensioso
na medida certa de seus 80 90 e poucos anos.
ah, millôr!
daquelas que não é fã de quase nada, daquelas que vai para a china se todos estiverem indo pro EUA. entende como é né?
possuo poucos, dos quais admiro.
um deles é o supertramp
o outro é millôr
porque millôr é gênio e humilde
diz sem querer dizer
fala sem querer falar
é desprentensioso
na medida certa de seus 80 90 e poucos anos.
ah, millôr!
O Amanhã(...)
Me limita o medo, de não saber do amanhã
do caos, das previsões, das invenções das quais talvez não presencie
permito-me apenas saciar-me com o presente fardo
dito isso, pois o passado jaz na cova desde ontem.
e o agora chegou.
aproveite o momento, pois o amanhã é outro.
(...)
do caos, das previsões, das invenções das quais talvez não presencie
permito-me apenas saciar-me com o presente fardo
dito isso, pois o passado jaz na cova desde ontem.
e o agora chegou.
aproveite o momento, pois o amanhã é outro.
(...)
29.4.10
pensamento 1. devaneio do tédio:
Meus olhos não suportam a escrita artificial
Meus dedos não escrevem o que o meu coração não é capaz de sentir
Jamais entenderia como muitos acham que a escrita se faz de forma racional
de forma cética , como se desenhasse as palavras com o uso de uma régua milimetricamente colocada sobre o papel.
deve ser por isso que a poesia morre a cada dia.
a cada segundo, a cada minuto
a cada batida de coração
se é que esses racionais de fato, possuem um coração.
mente? não transcreve o que você de fato não sente.
imaginação? sim é necessário, mas quando se faz de forma natural aliado ao sentimento, e assim os outros percebem que o que você escreveu é real.
aquele é você e não uma cópia do que você leu em outros lugares.
mais autosufiência
mais concentração em si
daí, dessa forma pode surgir algo somente seu
e não apenas uma soma de tudo que você já leu.
Português
Substantivo
Singular Plural
Feminino poesia poesias
po.e.si.a
arte de escrever em verso
obra literária escrita em versos
composição com poucos versos
inspiração
o que há de comovente nas coisas, nos seres, e nas ações e acontecimentos; encanto
(até mesmo o dicionário sabe disso.)
Meus dedos não escrevem o que o meu coração não é capaz de sentir
Jamais entenderia como muitos acham que a escrita se faz de forma racional
de forma cética , como se desenhasse as palavras com o uso de uma régua milimetricamente colocada sobre o papel.
deve ser por isso que a poesia morre a cada dia.
a cada segundo, a cada minuto
a cada batida de coração
se é que esses racionais de fato, possuem um coração.
mente? não transcreve o que você de fato não sente.
imaginação? sim é necessário, mas quando se faz de forma natural aliado ao sentimento, e assim os outros percebem que o que você escreveu é real.
aquele é você e não uma cópia do que você leu em outros lugares.
mais autosufiência
mais concentração em si
daí, dessa forma pode surgir algo somente seu
e não apenas uma soma de tudo que você já leu.
Português
Substantivo
Singular Plural
Feminino poesia poesias
po.e.si.a
arte de escrever em verso
obra literária escrita em versos
composição com poucos versos
inspiração
o que há de comovente nas coisas, nos seres, e nas ações e acontecimentos; encanto
(até mesmo o dicionário sabe disso.)
sincericídio(..)
suicídio \ sinceridade
logo:sinceridade + sociedade
resultado: = sincericídio.
simples!
estou parado
não estou parado
me faço silêncio
não sou silêncio
despir a alma que tenho
para usar a capa que tanto procuro
ela estava escondida em um armário antigo
-achei! digo a mim mesma.
abro peito e vou
sobrevôo entre os mundos
como naquela música de gustav holst, op32 júpiter:
sobrevôo para existir
porque não existo,
sem a capa
sem o vôo.
9.4.10
Ardor/ A dor (...)
Ama-se a dor\vive-se por ardor/vem ao mundo com dor.
arde e é por isso que gostamos
em vão seria se não sentíssemos.
ardor/ a dor (...)
arde e é por isso que gostamos
em vão seria se não sentíssemos.
ardor/ a dor (...)
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